- Joiceeeee TEMPER TANTRUM. - Grita Antonio da cozinha.
- Não tem Antô, mas anota aí que de tarde vou passar no mercado bio.
Não era a primeira vez que ele me pedia itens que não pertenciam ao meu vocabulário. Sei lá o que pensei que fosse - Um tempero afrodisíaco para colocar na pasta???
Dois segundos depois ele estava ao meu lado com um jornal na mão:
- Ta falando sério?
- Óbvio. -Respondo convicta.
- Tu não sabes o que é!
- Não sei... mas imagino. Palavra cruzada? Com quantas letras?
Minha imaginação é fértil e eu não tinha a menor ideia do significado de Temper Tantrum - termo em inglês que a língua italiana adotou para definir a crise catártica e turbulenta que assola os filhotes na famosa fase que acontece entre 18 e 36 meses, mais ou menos: Terrible two. Terrible? Já tive implicância com a palavra e me questionei n vezes: Realmente é uma fase terrível? Ou é definida assim porque é o ponto de vista dos adultos que geralmente tem dificuldades para administrá la? E Gaia como se sente? Com tanta vontade contida em um corpinho que ainda é incapaz de mover-se, falar ou pensar como gostaria. E eu, o que posso fazer?
"Na alma dos pequeninos existem segredos profundos, ainda desconhecidos do adulto que vive ao seu lado." Maria Montessori - Il Segreto della Infanzia p. 68.
Enfim, muitas perguntas, alguma bibliografia e a sensação de que eu lia sobre o assunto como se assistisse a demonstraçao das comissárias de bordo que ensinam a agir em situações de emergência no vôo, ou seja, com a impressão de que dificilmente vai acontecer mas caso ocorra eu não vou lembrar de 1|3 da explicação. Dito e feito.
O dia inesquecível
Para falar a verdade eu já tinha esquecido do assunto, tivemos momentos em que ela se frustou porém nada muito catastrófico. Até que o dia chegou...Semana passada fomos a Pádua -1 1|2 hora de trem da nossa casa- para passar uma tarde no Museu. Tudo andava bem, Gaia adora andar de trem e amou a exposição. Só que foi muito amor, tanto que depois de mais de 2 horas dentro do museu ela não queria ir embora e nos deu uma demonstraçao do que até então só era teoria por aqui: Um homérico ataque de birra, Temper Tantrum a go-go. Chorou, gritou, se agarrou na porta, se atirou no chão e tudo mais que temos direito. Um show com platéia: Tinha uma fila imensa esperando para entrar, todos atentos no melhor estilo comissão julgadora. O que a gente fez? Praticamente NADA. Aparentemente nada, porque dentro de mim era um turbilhão de pensamentos e emoções e pela cara do Antonio acredito que com ele não foi diferente.
"Educar é uma arte que requer um profundo conhecimento e domínio de si mesmo." Elena Balsamo - Libertà e Amore, p.18.
Percebi que eu não podia fazer muita coisa além de ficar calma. Tentei mudar o foco mas sem êxito e logo depois do momento crítico peguei Gaia no colo e saímos dali com ela esperneando rua afora. Foi um longo exercício de autocontrole e discernimento das minhas emoções porque a minha vontade era chorar junto. Daí Antonio pegou ela no colo e perguntou: Como tu quer ser tratada? Naquele instante despertou alguma coisa dentro de mim, me deu uma clareza e foi assim que consegui falar com ela e a tratá-la como eu gostaria de ser tratada se tivesse 29 meses. (Acho que acudindo Gaia, de certa forma, eu dei atenção a minha criança interior e também aquela criança que fui e que muitas vezes escutou a frase: Para de chorar agora). Deixei ela chorar. Com ela ainda em estado confusional entramos num café e ela parou. Parecia um passe de mágica. Acho que foi a mudança de ambiente, sei lá, ela parou de chorar, sentou na mesa, eu dei o seu livrinho que tava na bolsa ela se distraiu, nós nos olhamos e não falamos sobre o ocorrido e a normalidade se instalou. Foi tenso. Foi forte. Sei que episódios dessa natureza se repetirão e serão os momentos de crise que antecederão um salto do seu desenvolvimento.
"O famoso Temper Tantrum, aquele terrível comportamento das crianças pequenas que as levam a baterem os pés ou jogarem-se ao chão gritando desesperadamente, nada mais é doque a tentativa de colocar a raiva para fora, de descarregá-la da mesma forma que os raios fazem com a eletricidade. Através dos pés a energia acumulada sai e é absorvida pela terra, que neste caso, faz o papel de condutor. Se a raiva é contida se acumula no corpo e cria tensões, especialmente em relação aos dentes e mãos e podem aparecer problemas como abcessos, cáries dentárias e\ou bruxismo." Libertà e Amore- Elena Balsamo, pag. 16. PS: Minha livre tradução*
É uma fase delicada para todos nós. São muitas novidades na vida da filhote: Ela está aprendendo a fazer suas coisas sozinha o que provoca um adrenalalizante senso de onipotência ao mesmo tempo que quer colo. Paralelamente começou a controlar o esfincter, aprende dia a dia a administrar duas línguas e todos os seus brinquedos ganharam vida com a recente aquisição da capacidade de imaginar e fantasiar, do jogo simbólico... tudoaomesmotempoagora. Temos que ter muita calma, paciência, empatia, porque é o seu ego pedindo desesperadamente para ser levado em consideração. O amor é e sempre será incondicional.
"O famoso Temper Tantrum, aquele terrível comportamento das crianças pequenas que as levam a baterem os pés ou jogarem-se ao chão gritando desesperadamente, nada mais é doque a tentativa de colocar a raiva para fora, de descarregá-la da mesma forma que os raios fazem com a eletricidade. Através dos pés a energia acumulada sai e é absorvida pela terra, que neste caso, faz o papel de condutor. Se a raiva é contida se acumula no corpo e cria tensões, especialmente em relação aos dentes e mãos e podem aparecer problemas como abcessos, cáries dentárias e\ou bruxismo." Libertà e Amore- Elena Balsamo, pag. 16. PS: Minha livre tradução*
É uma fase delicada para todos nós. São muitas novidades na vida da filhote: Ela está aprendendo a fazer suas coisas sozinha o que provoca um adrenalalizante senso de onipotência ao mesmo tempo que quer colo. Paralelamente começou a controlar o esfincter, aprende dia a dia a administrar duas línguas e todos os seus brinquedos ganharam vida com a recente aquisição da capacidade de imaginar e fantasiar, do jogo simbólico... tudoaomesmotempoagora. Temos que ter muita calma, paciência, empatia, porque é o seu ego pedindo desesperadamente para ser levado em consideração. O amor é e sempre será incondicional.
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| E ainda faz um som : ) |
Fim do mês viajaremos e desta vez de avião, que sempre é mais complicado por causa da falta de espaço. Espero que corra tudo bem mas mesmo assim temos uma carta na manga. Vamos levar bombonzinhos e distrtibuir para os passageiros com um bilhete:
Caros Companheiros de Viagem
Meu nome é Gaia e tenho 2 anos e meio. Este é um doce pedido antecipado de desculpas da parte dos meus pais, caso, por algum motivo, eu não consiga controlar minhas emoções e chore, e grite, e esperneie. Faz parte da fase que estou passando e meus pais não farão nada, além claro, de me abraçar forte e me encher de beijinhos assim que eu tiver mais calma. Com muita sorte nada disso acontecerá e nós teremos todos uma tranquila viagem.
Ciao e Grazie
Boa idéia, né?
Inspirada nos pais dos gêmeos, história aqui.
Por enquanto o nosso mantra é : Tudo passa, tudo passa : )
Caros Companheiros de Viagem
Meu nome é Gaia e tenho 2 anos e meio. Este é um doce pedido antecipado de desculpas da parte dos meus pais, caso, por algum motivo, eu não consiga controlar minhas emoções e chore, e grite, e esperneie. Faz parte da fase que estou passando e meus pais não farão nada, além claro, de me abraçar forte e me encher de beijinhos assim que eu tiver mais calma. Com muita sorte nada disso acontecerá e nós teremos todos uma tranquila viagem.
Ciao e Grazie
Boa idéia, né?
Inspirada nos pais dos gêmeos, história aqui.
Por enquanto o nosso mantra é : Tudo passa, tudo passa : )

